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Os grandes vãos vencidos pela engenharia


Uma das grandes exigências da sociedade moderna à engenharia foi o desenvolvimento de soluções para o vencimento de grandes vãos.

Uma variedade de questões intrínsecas às atividades econômicas e de mobilidade do mundo moderno globalizado exigiu estruturas maiores, versáteis, abertas e sustentáveis.

A necessidade de conexão acelerou o desenvolvimento das tecnologias de comunicação, mas também teve influência nas engenharias, como mostram as grandes obras logísticas realizadas no século XX e no início do XXI.

Um exemplo que simboliza as demandas do mundo moderno, as novas tecnologias de materiais e metodologias na construção são as grandes pontes. Estruturas enormes, resistentes a diferentes elementos, que conectam diariamente pessoas em todos o mundo. Vamos conhecer um pouco mais.

Grandes pontes, grandes vãos

As grandes pontes que a engenharia atual desenvolveu tem como grande desafio conectar grandes distâncias de forma sustentável.

Um exemplo recente de um projeto dessa dimensão é a Ponte Yavuz Sultan Selim, no estreito do Bósforo, na Turquia.

Grandes vãos - ponte Yavuz Sultan Selim

Ligando Europa e Ásia, trata-se da maior ponte suspensa do mundo, com 2.164 metros de comprimento e altura máxima de 322. Mas para os fins de engenharia, um outro número é mais importante: o de maior vão vencido.

A nova ponte do Bósforo conta com dois pilares principais de 1.408 metros nesse vão principal, a nona maior marca do mundo.

As 10 primeiras posições entre os maiores vão são de pontes japonesas, chinesas, dinamarquesas, sul coreanas, britânicas e turcas. O recorde de maior vão é da ponte Akashi Kaikyo, no Japão, com um vão principal 1.991 metros. Contudo, um outro projeto turco deve superar esse recorde.

A ponte Çanakkale 1915, ainda em construção, deve superar o recorde japonês com um gigante vão de 2.023 metros.

Materiais e processos

A ponte Akashi-Kayko foi a mais cara do mundo, com US$ 4,3 bilhões investidos. O comprimento total de fios de aço utilizados nela totaliza 300.000 km de material.

O grande vão central é mais que uma conquista, uma necessidade do projeto. Os 1.991 metros de espaço entre as torres atendem à demanda do grande tráfego naval da região. Cerca de mil barcos passam por baixo da ponte por dia.

Grande vão - Ponte Akashi-Kayko

As fundações da ponte, nas duas torres de aço, são constituídas por caixões de concreto de 80 metros de diâmetro, dispostos em profundidade de 60 m. Eles são protegidos por pedras arredondadas e filtros para evitar o desgaste provocado por areia e pedregulhos movidos pela corrente marítima.

Para garantir estabilidade aos fortes ventos da região, os engenheiros projetaram a ponte com uma estrutura treliçada. Ela oferece rigidez e estabilidade aerodinâmica, com a baixa resistência à passagem do vento.

A ponte Akashi-Kaikyo tem estrutura capaz de suportar terremotos de até 8,5 graus na escala Richter.

Vão suspenso na engenharia civil

Saindo da construção pesada para a engenharia civil, temos em Minas Gerais o exemplo do maior edifício suspenso do mundo. O Palácio do Governo, na Cidade Administrativa de Minas Gerais, tem 148 metros de extensão.

Grande vão - Cidade Administrativa de Minas Gerais

Para realizar projetos de tão grandes vãos, a engenharia busca soluções de estruturas mais leves. E não é só a leveza o fator definitivo para a construção. A proposta de laje deve oferecer resistência e rigidez, mas com bom desempenho acústico, evitando as vibrações de piso que geram desconforto e insegurança para as pessoas que ocupam o edifício.

O projeto da Cidade Administrativa utilizou as lajes nervuradas com fôrmas produzidas pela Atex. O formato retangular da construção facilitou a modulação da laje, utilizada nos cinco pavimentos e cobertura do Palácio do Governo.

A combinação da leveza com a boa absorção de esforços da estrutura nervurada garantiu um edifício leve e confortável, em um dos últimos grandes projetos do icônico arquiteto Oscar Niemeyer.

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