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A importância do desempenho acústico – tipos de ruídos e conforto


Quando falamos da execução de lajes, tratamos sobre a produtividade na obra, da economia de materiais e de sustentabilidade. De olho nos resultados, ainda falamos da velocidade dos processos e nos diferentes estilos propostos por arquitetos na idealização de projetos. Mas outro fator relevante que não pode ficar de fora da discussão é o desempenho acústico.

Nesse artigo, vamos abordar as Normas de Edificações Habitacionais de Desempenho da série ABNT NBR 15575 e avaliar como os diferentes tipos de laje se adequam às metas de qualidade acústica exigidas.

Boa leitura!

ABNT NBR 15575 – Norma de Desempenho

Em vigor desde 2013, a Norma de Desempenho da ABNT para edificações habitacionais regulariza os níveis de som externos, a serem controlados pelo sistema de fachadas, como os transmitidos internamente na edificação, referente ao desempenho do piso.

A norma estabeleceu uma série de indicadores e referências mínimas e máximas de desempenho acústico.

Ruído de impacto

Pela norma, o sistema de pisos deve visar os menores índices L’nTw – unidade de medida de ruído de impacto geralmente medida em pavimentos inferiores à origem do som. Esses ruídos têm origem pelos impactos e atritos no piso que chegam a outros pavimentos.

As soluções estruturais para evitar esse tipo de problema sugerem uma camada estrutural que torne o piso flexível às ondas dos ruídos, como pisos flexíveis tipo carpete ou contrapisos.

Desempenho acústico

O índice aceitável pela NBR 15575 é de L’nTw de 80 dB. A referência de desempenho intermediário é de 65 dB e do superior é 55 dB. Esses valores impactam principalmente os imóveis populares, geralmente com lajes de 8 cm, sem contrapiso flutuante. As regras atuais devem exigir um aumento significativo na espessura das lajes, chegando ao mínimo de 10 cm ou 11 cm.

Assim, a norma age diretamente criando um controle de qualidade e oferecendo imóveis de mais conforto acústico para o mercado.

Para comparação, países europeus estabelecem o mínimo de L’nTw de 65 dB, o padrão intermediário brasileiro.

Ruído aéreo

Em relação aos níveis para ruído aéreo, a norma utilizou-se do DnTw, índice de redução sonora ponderado. Esse valor é medido em relação ao tipo de uso das áreas acima e abaixo do ambiente avaliado.

Para dormitórios e áreas comuns, o valor deve ser de 45 dB – lembrando que nessa unidade, quanto maior o índice, melhor o desempenho.

O ruído aéreo, como o nome sugere, está relacionado aos sons propagados pelo ar e transmitidos por lajes e paredes. Os principais exemplos disso são sons de música, televisão, conversas e afins.

Esse tipo de ruído é controlado por meio de uma cama absorvente – conhecida como drywall – instalada nas camadas do forro e da laje.

Soluções

As soluções mais indicadas para ter o melhor desempenho acústico passam pelo uso de contrapisos ou camadas de absorção de ruído. Segundo especialistas, essas camadas não devem ser instaladas diretamente sobre as lajes, sendo importante posicionar uma manta resiliente que cumpre a função de mola entre as duas estruturas.

Contrapiso flutuante

Geralmente, os contrapisos são usados em construções de alto nível. Em edifícios comerciais, contudo, as exigências quanto ao comportamento acústico são menores. Assim, é comum utilizarem lajes maiores – que permitirão mais instalações elétricas, hidráulicas e dutos de ar – o que também contribui para o desempenho acústico.

Como nem sempre a estrutura de contrapiso é prevista em todos os tipos de projetos, realizar esse procedimento em um prédio residencial passa a ser uma tarefa complexa, já que exigiria a aprovação de todos os proprietários em um processo que altera a configuração do piso.

A função da laje

Quando consideramos um sistema convencional de laje, sem a estrutura adicional, é comum apontar que o desempenho acústico passa a ser proporcional à espessura da laje – ou seja, quanto maior a laje, melhor o desempenho.

Contudo, cálculos mostram que nem sempre é o caso, ou ao menos não na proporção esperada.

Desempenho acústico x Espessura

Em uma laje maciça, o aumento da espessura não gerou um ganho proporcional de isolamento. Enquanto uma laje de 4 cm de espessura registrava 94 dB de ruído de impacto, uma unidade de 12 cm, três vezes maior, registrou 77 dB. O ganho de desempenho de apenas 18%, com um gasto muito maior.

Anteriormente, já havíamos mostrado o resultado de testes realizados na Universidade do Extremo Sul Catarinense. Comparando estruturas pré-moldada, maciça, nervurada com EPS (isopor) e nervurada em fôrmas plásticas, o teste mostrou que as lajes nervuradas tiveram o melhor desempenho.

Comparativo de lajes no desempenho acústico

Aumentar a espessura das lajes para reduzir a passagem de som não é a escolha estrutural adequada. Não somente as estruturas usadas junto às lajes (contrapisos e mantas) podem garantir melhor isolamento, como o próprio tipo de laje pode ser decisivo para o desempenho da edificação.

Toda a estrutura ligada a elas cumpre função na performance acústica, já que os esforços sobre os pisos são transmitidos também a pilastras e paredes.

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Sobre o autor
  1. Angelo Carisio Nasciutti disse:

    Muito boa a matéria

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